História Local
Fazer a história de uma localidade ou região implica recuperar memórias disseminadas por um conjunto de vestígios onde o espaço e as sociedades se inscrevem.
O interesse pela história local teve grande popularidade, no século XIX, com as “monografias locais”, que registavam os principais factos históricos das localidades, biografavam os seus mais ilustres autóctones e registavam os usos e costumes tradicionais e inventariavam os ditados, as receitas medicinais ou gastronómicas, as formas variadas de literatura oral.
Face à diversidade dos temas possíveis de abordar, em consonância com a trajectória da vida das comunidades, a investigação é complexa, exigindo que se percorram arquivos, bibliotecas, museus, etc., ou seja todos os locais onde a memória da presença humana se encontra preservada.
Antes mesmo de se procurar um documento de arquivo, e a fim de se obter uma visão de conjunto e se gizarem os contornos do estudo que se pretende fazer, importa conhecer, desde logo, a bibliografia já publicada sobre a localidade ou região, recorrendo, em primeira instância, a obras de índole geral, tais como enciclopédias e dicionários.
De entre outras, consideramos de uma enorme utilidade as seguintes obras de síntese e de referência:
- Bibliografia corográfica de Portugal. Lisboa: Biblioteca Popular de Lisboa, 1962-1975.
- COSTA, Américo - Dicionário corográfico de Portugal Continental e Insular: hidrográfico, histórico, orográfico, biográfico, arqueológico, heráldico, etimológico. Porto: Livraria Civilização, 1929-1949. 12 v.
- COSTA, Padre António Carvalho da - Corografia portuguesa e descripçam topográfica. Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouvea, 1868.
- Dicionário de História de Portugal. Dir. de Joel Serrão. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1961-1971. 5 v.
- LEAL, Augusto Soares d´Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Livraria Ed. Matos Moreira, 1873-1890. 12 v.
- LIMA, João Baptista de - Terras Portuguesas. Póvoa do Varzim, 1931. 8 v.
- RODRIGUES, Guilherme; PEREIRA, João Manuel Esteves - Portugal: dicionário histórico, chorográfico, biographico, bibliographico, heraldico, numismatico e artístico. Lisboa: João Romano Torres e Cª,1904-1915. 7 v.
- VASCONCELOS, José Leite de - Etnografia Portuguesa: tentame de sistematização. Lisboa: Imprensa Nacional, 1933-1975. 6 v.
Dever-se-á, em seguida, procurar a bibliografia especializada, destacando-se as monografias de história local.
A identificação de documentos de arquivo exige que a investigação se processe em vários fundos. A Torre do Tombo dispõe de um instrumento indispensável ao investigador, que simultaneamente lhe permite a selecção dos fundos arquivísticos e o orienta no acesso aos documentos, através da indicação dos respectivos ID (Instrumentos de Descrição). Trata-se do Guia Geral dos Fundos da Torre do Tombo.
Forais - Encontram-se também dispersos por diversos fundos e colecções, tais como Chancelarias Régias, Gavetas, Leitura Nova, etc. Torna-se, pois, de primordial valor o contributo de Francisco Nunes Franklin, cuja obra Memórias para servir de índice dos forais (…) fornece todas as indicações necessárias. Disponível na Torre do Tombo (ID: L 483)
Memórias Paroquiais, de 1758 (organizado alfabeticamente por freguesias)
Alfândegas de Lisboa (ID: L 266. Inventário publicado)
Alfândega do Funchal (ID: F 77)
Alfândega do Porto (ID:L 533)
Feitos da Coroa
- Capelas da Coroa (ID:L 11 e F 45)
Casa do Infantado (ID: L 13, C 7)
Casa das Rainhas (ID: L 13, C
Chancelarias das Ordens Militares
- Ordem de Cristo (ID: L 393 a 434)
- Ordem de Santiago (ID: L 436 a 444)
- Ordem de São Bento de Avis (ID: L 385 a 392)
Chancelaria régia (ID: L 20 a 206, por ordem sequencial de reinados, de D. Afonso I a D. Pedro IV. As Chancelarias de D. Duarte e de D. João II dispõem de base de dados impressos)
Corpo Cronológico (ID: L 223 a 234; L 299 e 299A; C 79 a 169A)
Conselho da Fazenda (ID: L 212 a 512, C 27. Inventário publicado)
Desembargo do Paço (ID: Inventário publicado)
- Repartição da Corte, Estremadura e Ilhas (ID: L 237, L 246 a 255)
- Repartição do Alentejo e Algarve (ID: L 570, L 257 e 258, F 48 a 56)
- Repartição da Beira (ID: L 237, L 256, F 57 a F59)
- Repartição do Minho e Trás-os-Montes (ID: L 237, L 238 a 242, F 47, F 98 e F 99, L 569)
Documentos do Reino do Algarve (L 487)
Gavetas (ID: L 267 a 273)
Impostos (ID: L 510 e 511)
Inquirições (ID: L 278 a 280
Junta do Comércio (ID: L 305)
Leis e ordenações (ID: L 306 a 310A)
Ministério da Instrução Pública (ID: L 378 a 379)
Ministério do Interior (ID: L 497)
Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça (ID: L 380)
Ministério do Reino (ID: L 210 e 382, Inventário publicado)
Núcleo Antigo (ID: L 574, Inventário publicado)
Provedoria e Junta da Real Fazenda do Funchal (ID: L 266, F 77)
Provedoria de Santarém e Tomar (ID: L 446, C 742 a 916)
Provedoria de Setúbal (ID: C 917 a 970)
Provedoria de Torres Vedras (ID: C 791)
Provedoria de Ourique (ID: L 447)
Registo Geral de Mercês
Registo Geral de Testamentos (ID:L 479 e 480, C 992 a 1060)
Para representações iconográficas sugerimos a consulta dos fundos e colecções seguintes:
Casa Real
- Cartório da Nobreza, maço 73: constituído por uma colecção de gravuras representando brasões municipais
- Armorial de Francisco Coelho, intitulado Thesouro da Nobreza, (CF 169), onde se representam brasões de vilas e cidades com assento nas Cortes
Casa Cadaval (ID: L 523)
Livro das fortalezas situadas no extremo de Portugal e de Castela
- Colecção de plantas, mapas e outros documentos iconográficos (ID: L 523)
- Colecção Olissiponense (ID: C 635 a 637)